quarta-feira, 14 de maio de 2014

Mais para aprendizes e pré-oficiais.

   Voltando aos aprendizes vou ensinar várias maneiras de como achar os centros em peças.
   Vamos começar pelo que eu penso que seja o mais simples de fazer.
   Seguem imagens das várias maneiras de o fazer.

   FIG. 1 
   Usando o esquadro de centros,faz-se  uma linha paralela nos 180º, depois volta-se o esquadro a 90º e marca-se a linha perpendicular o encontro das duas linhas é o centro da peça.
 FIG. 2
   Usando o paquímetro,este método só se utiliza em último recurso,com o paquímetro na metade da medida da peça, marcamos a primeira linha e depois a segunda ao contrário,a união das duas linhas é o centro da peça.
   FIG. 3
   Tal como indica a figura com o compasso de centros ou hermafrodita, traçam-se linhas nos quatro pontos da peça o encontro dessas linhas é o centro da peça.
   FIG: 4
   Divide-se como metro metade da peça  depois é só virar ao contrário e marcar de novo, o ponto de encontro das linhas é o centro da peça.
   FIG. 5 
   Marca-se um ponto com o metro que será o centro ?, e seguidamente faz-se uma linha paralela como mostra a fig. 5.
   A seguir marcam-se os dois pontos à mesma distancia com o punção de bico.
   Com o compasso de bicos num dos pontos vamos marcar a linha que ira posteriormente cruzar com a outra. 
   Seguidamente com o compasso no outro ponto,vamos marcar outra linha que cruzando com a que  marcamos anteriormente, vai  dar o centro da peça.
   FIG. 6
   Usando o graminho e o bloco em V,colocamos a peça sobre o bloco, depois com o graminho calculamos mais ou menos o centro da peça e marcamos uma linha, deslocando o graminho.
   Logo voltamos a peça ao contrário do que estava e marcamos outra linha, se a diferença não for muito grande de uma linha para a outra, voltamos a peça 45 º, e marcamos outra linha deslocando de novo o graminho, logo voltamos de novo a peça para marcarmos a outra linha paralela a esta, o cruzamento das quatro linha formou no centro um quadrado pequeno que servirá como referência para marcar o centro.
   Este quadrado não deve ser muito grande para não levar a cometer o erro de não centrar bem a peça,deve ter o tamanho de maneira a que quando se marque o centro com o punção de bico este não vá dar diferença .
   Já me esquecia,para todas estas maneiras de achar os centro à que colocar  azul de Prussia ou com um marcador de bico de feltro pintar a superfície das peças para se poder marcar as linhas.
   O azul de Prussia é um spray de tinta especial para marcar as peças.


   Este método é identico ao anterior, só que o graminho é de precisão ,logo acha-se o centro com mais facilidade.

   FIG. 8
   Usando uma suta para saber qual a inclinação da escada.
   Vamos usar uma régua com 3 metros de comprimento, uma suta e um nível de bolhas de agua.
    Como podem verificar pela figura, coloca-se a régua sobre a escada,e segurando suta e o nível ao mesmo tempo,vamos por a parte vertical da suta a nível.
   Assim já temos uma abertura na suta que será equivalente aos graus de inclinação da escada.
   Para se saber quantos graus de inclinação tem a escada pegamos num transferidor e colocamos como mostra a figura, apoiado na base da suta e com o vértice da suta no centro do transferidor vamos ler qual a medida em graus.
   A leitura dá-nos de 35 º, medindo de A a Be de C a D 145 º que seria a soma de 90 º + 55 º = 145, que seria a medida que nos interessava.
   Logo a soma dos ângulos 90 º+ 55 º+35 º= 180 º.
   Passamos agora para a FIG. 9 .
   Trata-se de um instrumento micrométrico
que serve para medir inclinações e chama-se inclinómetro, ou clinómetro.
    Neste modelo quando o inclinómetro está fechado corresponde ao nível 0, e cada milímetro no nónio ou leitor do inclinómetro é igual a 1 % de inclinação.
   Portanto se queremos uma estrutura com 2 % de inclinação, vamos por o nónio ou leitor em 2 mm, e quando a bolha do nível do inclinómetro estiver a nível, isto quer dizer que a estrutura está com os 2 % de inclinação.
                         
                                                         PARA PRÉ-OFICIAIS


   Outro método e o da barra com inclinação.
   É uma barra maquinada com 2 % de inclinação, que é feita na fresadora e depois rectificada.
   Tem que ficar muito bem feita pois desse trabalho depende o ficar bem ou não a inclinação da estrutura.
   O procedimento é o seguinte,coloca-se a barra encima da estrutura de maneira a ficar paralela ao comprimento, marca-se uma linha central a todo o comprimento da estrutura, e coloca-se a barra nessa linha paralelamente, com a parte mias grossa ao contrário da que está na foto.
   Depois vamos colocar o nível de precisão, de preferência com base magnética, encima da barra de inclinação, e vamos nivelar a estrutura.
   Quando as bolhas do nível estiverem iguais para ambos lados, ou seja a bolha tem que ficar com igual distância dos riscos que tem o nível, tanto no comprimento como na largura, então a estrutura esta´nivelada.
   Segue foto de desenho da barra com inclinação, sem o nível encima.
   Este é um método prático mas pouco confiável, como o engenheiro responsável vai ter que verificar a inclinação com o teodolito, serve.
 



 A diferença de medida nas pontas é o equivalente aos 2 % de inclinação.





   Um dos métodos mais usados é o de dar a inclinação com o nível óptico ou equialtímetro.
   Segue foto de desenho explicativo.



 Onde o Nº 1 é a estrutura a ser nivelada ,
   O Nº 2 é o fixe ou base de concreto armado.
   O Nº 3 são a régua de mira que se utiliza para dar a referência das medidas.
   Os Nº 4 são os parafusos niveladores, que neste caso seriam 6, três num lado e três no lado oposto.
   Os Nº 5 são as placas de nivelamento.




 
   Por esquecimento, não informei que tipo de estrutura ou base metálica é a da figura acima desenhada.
   Esta é uma viga de apoio reforçada,que conjuntamente com outra no lado oposto vão servir de apoio a uma maquina.
   Esta viga é do tipo HE 360 B, que é uma viga de abas largas e mede 360 mm de largura x 300 mm  de altura x 22,5 mm de espessura de aba x 12,5 mm de espessura de alma.      
 Procedimento para o  nivelamento.
   Com a estrutura ou viga já colocada encima do fixe, os parafusos colocados, as placas de nivelamento postas, vamos por os parafusos todos à mesma altura, vamos supor que são duas vigas, uma de cada lado e vamos ter que fazer o mesmo trabalho nas duas.
   Neste método de montagem vamos ter que colocar em cada chumbador,que não estão aqui visíveis, uma anilha sutada ou inclinada para evitar que o aperto dos parafusos não seja forçado a um lado.
   Me explico,se apertarmos os parafusos sem as anilhas sutadas as porcas vão fazer a força inclinadas, o que poderia causar enfraquecimento nos parafusos e partir-los, as anilhas sutadas vão compensar a inclinação dos parafusos.
   A inclinação ou sutamento das anilhas tem que ser igual à inclinação que tenha a estrutura ou base.
   No desenho não estão representados os chumbadores  que seriam o mesmo número dos parafusos de nivelamento 6, segue desenho de anilha sutada ou inclinada.


   A inclinação tem que ser igual à inclinação da estrutura, neste caso seria de 2 % de inclinção.
   As anilhas devem ser montadas no sentido contrário à inclinação da base para assim poder compensar a inclinação, para que os parafusos façam força a direito.



   Este método aqui descrito é simplesmente para dar a ideia de como se pode fazer,
   Em vez de termos marcado os pontos A e B, marcamos A e A 1 e B e B 1,para mais tarde colocarmos a régua de mira.
   Terminado colocar o acima descrito vamos calcular a diferença nas medidas com os 2 % de inclinação.
   Suponhamos que desde o ponto A ao B encima da estrutura, vão 4 metros = 4000 mm.
   Para calcular a diferença vamos multiplicar 4000 mm X 2 % = 80 mm , = aos 2 %.
   A seguir colocamos a régua de mira no ponto A e verificamos qual a medida correspondente na régua,vamos supor que é de 550 mm, a régua de mira é uma régua especial preparada para se ler bem com o nível óptico, pois tem os números grandes e umas referências a cores brancas e encarnadas, que mais adiante vamos ver fotos de essas miras.
   Agora vamos colocar a régua no ponto B, e verificar qual a medida que tem, e é de 500 mm.
   Este procedimento é feito também nos pontos A1 e B1, que ficam contrários aos pontos A e B.
   A medida que deveríamos ter no lado B, seria de 550 mm - 80mm = 470  que é a diferença dos 2 %.
 Acontece que a medida verificada no lado B é de 500 mm, o que quer dizer que a estrutura tem que baixar ,500 mm - 470 mm = 30 mm para ficar nos 470 mm.
   Colocada a medida em 470 mm, vamos verificar de novo o lado A, pois ao baixar o lado B, certamente o lado A subiu um pouco,suponhamos 2 mm ou seja passou a ser de 550 mm - 2 mm = 548 mm.
   Voltamos de novo ao ponto B e B1 que têm que ficar iguais 470 mm, assim como ao ponto A1 e A medimos de novo, a diferença agora é mínima mas levamos  aos 550 mm e assim fica a estrutura com a inclinação de 2 %, 550 mm nos pontos A e A1 e de 470 mm nos pontos B e B1.
   As medidas de nos quatro pontos, A -A1 têm que ser iguais,assim como nos pontos B-B1, ou seja nos pontos A-A1 = 548 mm e nos pontos B-B1 = 470 mm.
   Depois de feita esta nivelação que não é definitiva,é o engenheiro responsável pela montagem que vai dar a leitura definitiva usando o teodolito,que é um instrumento ainda mais preciso que o nível óptico.
   Este tipo de instrumento o nível óptico, deixou praticamente de existir depois dos anos 80, já quase não se utiliza, agora é tudo a laser seguem fotos dos ditos instrumentos novos e velhos.







   Nível óptico normal giratório.













   Nível óptico giratório.
















    Nível laser profissional.















                         Teodolito digital ou electrónico.














   



 Réguas de mira ou simplesmente miras, vários tipos.













       Teodolito antigo de fabrico russo.









   Estamos a calcular e a desenhar as estruturas, sem nenhuma base. é apenas fictício, o importante é transmitir  a ideia de como seria este processo na realidade, medidas e inclinações não são verdadeiras.
   Em realidade se tivermos que montar uma maquina encima de uma plataforma ou base metálicas,o melhor seria construir a plataforma já com a inclinação.
   Segue desenho elucidativo.


   Plataforma ou base com inclinação de 2 %.
   Como podem verificar a parte de baixo da plataforma vai ficar paralela com o chão, a inclinação foi dada na parte superior.
   Neste caso não será necessário colocar anilhas sutadas porque a parte de baixo fica nivelada.
   Quando se termina de construir a base, esta é levada a uma oficina para ser maquinada a parte de cima, para ficar com a superfície onde vai ser montada a maquina completamente lisa e igual.
 A maquinação é feita em oficinas especializadas, porque têm que ter maquinas ferramentas adequadas para tal fim.
   Podem ser maquinadas em tornos ou em plainas gigantes.
 



   Depois de nivelada a plataforma ou base metálica, já com os chumbadores colocados, os pedreiros vão colocar o cimento nos furos do concreto armado e deixar secar.
   Depois de seco o cimento é de novo verificada a inclinação da plataforma para se verificar se houve alguma alteração nas medidas,porque o cimento quando seca contrai e puxa os chumbadores para baixo e pode provocar alterações significativas nas medidas.
   Se houve alterações nas medidas, estas são compensadas com suplementos metálicos por debaixo da maquina, no sítio dos parafusos.
   Verificadas as medidas e ajustadas em caso seja necessário, os pedreiros vão colocar uma armação em madeira à volta do fixe de concreto,  encher de cimento a toda a volta, e até à altura da parte mais baixa da plataforma.
   Assim fica terminada a colocação da plataforma para receber a maquina.
 Chegamos ao fim da mensagem de hoje, desculpem os erros cometidos, e sem querer justificar as falhas, é que estou a tomar uns anti-alérgicos e ando um pouco sonolento, espero que tenham gostado, tenham um bom fim de semana.
   Despeço-me  até à próxima mensagem.





                                                           MÁRIO SILVA

















































sábado, 10 de maio de 2014

Reparações em compressores de ar comprimido

   A manutenção correctiva tal como ela diz é para corrigir o que está mal, está bem claro.
   E começamos pelo mais importante que é antes de fazer qualquer reparação deve desligar a energia eléctrica e vazar todo o ar existente no compressor aliviando a válvula de descarga ou segurança.
   Depois de efectuada estes operações deve-se colocar um cadeado no quadro eléctrico correspondente ao motor do compressor, para evitar que alguém o vá ligar. 
   Em seguida levamos o compressor,se for possível,se não for por ser grande ou estar fixo ao chão,para um local limpo e livre de poeiras e outros elementos que possam ir contaminar as peças a serem montadas, isto é muito importante porque destas medidas dependerá a vida do compressor.
   Este local deve estar provido de um tanque de limpeza com diesel para limpar peças assim como uma mangueira de ar.
   Se já tem o problema localizado, porque a pressão do compressor não aumentava e o aquecimento não era normal,  a localização do problema deve ser na cabeça do compressor,vamos começar por desarmar a protecção das correias trapezoidais seguido do desarme dos tubos de cobre que se encontram no cabeçote, e  filtro de ar , claro que estamos a falar de um compressor profissional de uma cabeça
somente porque há de duas ou mais cabeças.
   Entende-se por cabeça a parte do compressor onde trabalha o pistão onde  tem a camisa e onde estão montadas as válvulas, a placa de válvulas, que se chama cabeçote,segue foto de compressor aqui mencionado.
     



    Compressor profissional de uma cabeça,onde se vê o tubo de cobre ou serpentina reguladora de pressão a protecção das correis, a válvula de segurança, a base, o motor claro,e o pressóstato.






   O pressostato é o elemento que controla a pressão do compressor, quando este atinge a pressão pré estabelecida.
   A função é desligar o motor quando a pressão é alta e liga o motor quando a pressão é baixa.
   Como já temos o problema localizado devido ás anomalias do compressor, vamos começar por desmontar o cabeçote e em seguida as válvulas, mas primeiro vamos verificar se a cabeça ainda está quente, se não está, continuamos com a desmontagem desapertando os parafusos que estão na parte de cima do cabeçote que devem ser quatro,e separamos o cabeçote do candro, cilindro ou carcaça de arrefecimento, se está muito quente temos que deixar arrefecer isto para se poder trabalhar com mais facilidade. 
   É de bom método quando se compra um compressor, comprar peças que sejam mais prováveis de se danificarem,tais como correias trapezoidais,filtros do ar, kit de reparação das válvulas,um jogo de pistão biela, segmentos ou anéis e jogo de bronzes  bronzinas ou casquilhos e juntas.
   Assim não se terá que estar à espera que cheguem o que por vezes leva muito tempo.
    Depois de desarmada a placa de válvulas vamos verificar as condições em que se encontram estas.
   Se o compressor é de válvulas que devem ser duas, ou e de palhetas que podem ser quatro ou mais.
   Primeiro verificar se têm carvão ou outra sujidade, e em seguida desarmar as válvulas ou palhetas.
   Segue fotos das peças mencionadas.




   Quatro tipos de válvulas para compressor.
















   Placa de válvulas de palhetas.










  Para desarmar as válvulas basta retirar a porca que se vê na parte de cima, retirando o contra pino, retentor metálico, ou passador bipartido,ou se for o caso da válvula de baixo da direita que tem  uma porca de segurança, seguem exemplos.




   Contra pino e porca de segurança.






   Se o compressor for de válvulas depois de desapertar e separar a placa das laminas ou disco,seguem exemplos.





    Laminas, discos ou anéis para placa de válvulas vários modelos.








 

 Placas de válvulas com comparação de tempo de trabalho,a da esquerda antes de trabalhar a da direita com 14 meses de trabalho.
   Note-se a parte mais clara é a zona de incidência do disco na placa, que é donde se dá o desgaste.


                                                    
    Entretanto já consultámos o armazém para saber se temos o kit de reparação para substituir.                        Como eu estava a dizer quando separar a lamina ou disco da placa vai-se verificar se ambas estão em condições quanto a desgaste , se a parte mais clara na foto for muito profunda, o disco não veda a compressão, e o compressor não carga,portanto vamos eliminar este problema, como.
   Nas oficinas existe uma ferramenta que se chama plano que é uma bancada com uma superfície plana que
tem várias utilidades e uma delas é justamente para o que vou descrever a seguir.
   Para se eliminar o desgaste produzido pelas laminas,vamos agarrar uma folha de lixa nº 400 e vamos coloca-la em cima do plano,logo, sujeitando com fita cola e ajudando com uma mão e com a outra agarramos a placa,  com movimentos de translação vamos eliminar o desgaste produzido.
   Com um movimento de rotação vamos mudar o sitio onde estamos agarrando a válvula.
Estes movimentos devem ser feitos muito lentamente para que o desbaste feito pela lixa seja igual em toda a superfície.
   Não convém agarrar a placa sempre no mesmo sitio, por isso o movimento de rotação  para evitar que a placa fique cónica,ou seja mais desbastada num lado que noutro.
   Este procedimento é feito se na oficina não houver uma rectificadora horizontal para rectificar a placa.
Se houver, e esta placa for construída em aço macio não tem problema, se for de ferro fundido o prato magnético  não tem efeito sobre o ferro fundido, não agarra, vamos ter que fazer um dispositivo para fixa-la ao prato magnético da rectificadora,o aço macio não necessita porque adere bem ao prato magnético
   Posto isto rectificamos a placa até eliminar o desgaste produzido pelas laminas ou discos.
   A seguir verificamos quais as condições em que se encontram as sedes ou seja a cavidade onde vão ser colocadas as válvulas e limpa-las eliminando qualquer resíduo de carvão ou sujidade.
   Se estão em condições vamos armar as válvulas na placa, ou colocar as palhetas se for o caso.
   Uma vez que temos este trabalho feito aproveitamos para verificar como se encontra o pistão,segmentos ou anéis,passadores ou pinos, camisa do pistão,candro, ou cilindro,  a cambota ou virabrequim segue foto destes elementos 
    
   
 
 


  Vários tipos de camisas ou candros para pistões,
também se chamam cilindros.












   Pistões para compressor.






 Anéis para pistões de compressor mostrando sequência de montagem.
   Como podem verificar os anéis ou segmentos não são todos iguais.
   E cada um tem a sua função,uns são de compressão de limpeza e outros de lubrificação, verificando-se que os dois primeiros têm o corte igual e o outro diferente.
   No segundo segmento não se vê o corte, talvez esteja encoberto com o anel de cima,ou por esquecimento ao desenhar, porque sem corte não se pode montar um segmento.   





   Biela para compressor fechada sem bronze,casquilho ou bronzina.
   Como já se deram conta eu estou a repetir os vários nomes das mesmas peças.
   A razão é a seguinte.
   No Brasil as peças não têm o mesmo nome essa a razão.
    





   Cambota ou virabrequim para um pistão .







  Bronzes,bronzinas ou casquilhos para bielas.







   

 Na figura mostra vários elementos para compressores.
   É importante saber-se que o candro ou carcaça de pistões ou cilidro muitas vezes têm uma camisa que é substituível, portanto que se pode substituir por outra.
    Isto aplica-se a compressores onde a substituíção  total do candro ou camisa, tem custo muito elevado.
   Na figura também se vê o pino ou passador e os circlips ou anel trava, que são os dois que estão ao lado do passador.










  Cárter para compressor de dois pistões, vendo-se o furo onde vão ser montadas as tampas dos rolamentos e que são bastante grandes em relação com os furos dos pistões.
   A razão mais adiante vamos ver o porquê.













   Pistão, passador,anéis ou segmentos,e sirclips ou  anel trava.








   Depois de se verificar estes elementos verificou-se que o pistão tinha um segmento partido, e era o que raspava , logo a razão do carvão nas válvulas,devido ao passo de óleo para o cabeçote
   Em consequência do ocorrido a camisa do pistão ficou riscada, o que levará a que esta seja rectificada.
   Se a rectificação for muito profunda vão ter que colocar anéis novos ajustados à nova medida da camisa.
   Este trabalho em principio é feito pela empresa que fez a rectificação.
   Mas também se pode dar o caso em que o pistão está em boas condições então vamos ter que fazer outras provas que serão as seguintes.
   Primeiro vamos verificar como se encontra o pistão,se não tem desgaste em qualquer dos lados, se está riscado, ou se o pino ou passador tem muita folga no pistão.
   Verificou-se que o pistão tem desgaste num lado, isso pode ser causado por demasiada folga no pino do pistão e dos anéis que devem estar partidos,solução.
   Se o desgaste não for muito profundo pode-se dar uma passagem com  scotch brite que é uma esponja de limpar a loiça, e voltar a usá-lo.
   Nunca se deve usar lixa em peças de alumínio ou bronze, que tenham movimentos. 
   Voltamos ao pino do pistão para desarmar-lo vamos ter retirar-lo para fora,pois só assim se pode desarmar, abrir o cárter para isso vamos desapertar os parafusos das tapas dos rolamentos que servem justamente para se poder desapertar os parafusos da biela, e retirar o conjunto biela pistão.
   Como poderão ver no cárter na figura em cima o espaço que ficou sem as tampas dos rolamentos é suficiente para se desarmar a  biela e assim retirar o conjunto biela pistão para fora.
   Com o conjunto biela pistão fora, já se pode retirar o pino do pistão, retirando as travas ou circlips, e verificar as condições em que se encontram, se as bronzinas estão com muito desgaste, vamos substituir-las. 
 Depois vai-se verificar como está a folga do pino na biela, e o casquilho da biela, se está com demasiada folga, e se o passeio da biela está em boas condições, se não está riscado , vamos substituir o casquilho, bronzes ou bronzinas na biela.
   Seguimos com alguns exemplos do aqui mencionado,

. 




  Pistão com riscos e desgaste, falta de óleo.
   











   Passeio de cambota gripado, falta de óleo.





   Passeio de cambota e biela gripados, ausência de óleo.


 rior
   Cambota e biela aberta onde se vêm as bronzinas ou casquilhos
 A parte rectificada que fica no meio da cambota também se chama de passieo e é onde vai ser montada a biela.



                                                                                                                                                                                          FIG. 1                                                                              
   Casquilho para biela parte inferior,com saliência (muesca) para posicionar na biela.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            



   
                         
                                            FIG.2
   Conjunto biela pistão com casquilhos , bronzes e pino ou passador.
   Não estando visíveis os parafusos nem os circlips ou travas.







   






     FIG; 3

   Cinta e alicate para montagem de segmentos ou anéis e pistões.
   Imagem em cima o anel fechado em baixo anel aberto.







                                                                                                                                                                        Vamos agora verificar se os anéis que se retiraram, ainda estão bons para se usar de novo.
   Para o fazer vamos agarrar a camisa, candro ou cilindro na vertical e colocamos o anel tal como se mostra na figura 6 em baixo ,e procedemos como indica a mesma figura, colocando o apalpa folgas na junta do segmento a medir, verificando se está dentro da tolerância pedida.
   Estas tolerâncias são dadas pelo fabricante do compressor.
   Depois de verificar todos os anéis vamos proceder à colocação dos anéis no pistão.
   Mais informações na figura Nº 3 .
  Agora vamos montar os segmentos no pistão.



                               FIG; 4
 Tendo em conta que o primeiro segmento de compressão fica com a parte angular para baixo, o segundo anel de compressão fica com a parte rebaixada para cima e o anel do óleo tal como mostra a figura.
   As folgas nos anéis, que se vêm todas para cima, têm uma tolerância que vou indicar na figura seguinte. 









                                 FIG:5
   Tolerâncias para a folgas máximas e mínimas  nas canaletas dos pistões, notem bem que a secção do anel não varia as medidas nem as folgas máximas entre anéis e cavidades, como mostra a figura à direita.
   Conforme o fabricante dos anéis assim eles mandam fazer a montagem, depende da secção do anel.
   Como podem ver as secções de construção dos anéis não são todas iguais, embora a função seja a mesma.    



   Entretanto vamos limpar a superfície do cilindro onde se vai  posteriormente montar o cabeçote com as válvulas, eliminando qualquer vestígio da junta se for o caso,pode levar simplesmente uma junta tórica.
    Portanto antes de se montar os pistões na camisa há que verificar estas medidas.
   A seguir vamos verificar as folgas nas juntas nos anéis já o fizemos anteriormente.


                             FIG: 6 
   Verificando folgas nas juntas dos segmentos para pistões.
   Estas medidas são dadas pelo fabricante dos compressores, e se não vêm no catalogo,à que pedir-las quando seja necessário.





   Outra verificação não menos importante, é a da folga entre anéis e cavidades do pistão, como mostra a figura em baixo e à direita.


  

                             FIG: 7         
  Medindo folgas entre cavidades ou canaletas, e anéis, estas medidas também são dadas pelo fabricante.
   Antes de colocarmos os segmentos vamos colocar um pouco de óleo na camisa ou cilindro.




    Para montar os anéis ou segmentos vamos usar o alicate para segmentos.
  Com a tal como mostra a figura 3, com o alicate de segmentos, vamos introduzir os segmentos nas ranhuras do pistão, com a ordem que indica a figura 5,depois de montados, vamos montar a biela, colocando o passador e os anéis de trava, e vamos introduzir o conjunto biela pistão na camisa ou cilindro 


                               FIG. 8                        

   Divisão do pistão, mostrando a cabeça e a saia que é a parte que vai guiar o pitão.









                       FIG.  9

   Colocando o pistão com a cinta, como se pode verificar uma pequena parte da cinta já está dentro do pistão. 








   Depois de colocados os anéis, vamos colocar a cinta para segmentos e ajustar-la,só para lembrar, antes já colocamos um pouco de óleo na camisa ou cilindro, e na cinta também para facilitar o deslize dos segmentos
 A cinta deve ficar justa de maneira que se possa rodar os anéis para facilitar a introdução do pistão na camisa.
   Agora vamos montar o cilindro no cárter e apertar os parafusos,se o fabricante não informou qual o torque ou aperto a usar nos parafusos,vamos usar a tabela  de apertos como na FIG.11.
   A figura que vemos em cima, não é a de uma camisa ou cilindro de compressor, mas sim de um bloco de motor, foi só para facilitar a imagem, o importante é fazer entender como se faz.
   Depois disto vamos colocar a cinta na camisa introduzindo um pouco a mesma e a seguir com um martelo de plástico fazemos com que o pistão entre na camisa.
   Para que saiba as bielas nunca são maiores que o diâmetro do pistão para poderem entrar por cima da camisa ,a não ser em algum caso especial.
   Em uma eventualidade se não se tiver as ferramentas aqui mencionadas,por exemplo num sitio onde não existam ferramentas, também se pode armar e fazer todas as operações, da seguinte maneira.
   Para montar o pino ou passador,não tem dificuldade porque depois de colocar um pouco de óleo nas bronzinas do pistão e da biela, é só empurrar o passador e depois colocar os circlips ou travas.
À quem faça dilatar o diâmetro da bronzina da biela e do pistão ,com uma pistola de ar quente, que se pode ir verificando quando estiver na temperatura ideal, se tem como medir a temperatura, ou vai experimentando com o pino até que este passe fácil em ambos lados pistão e biela.
   A temperatura nas pistolas variam, podem ir de 50º a 600º centigrados.
   Para colocar os segmentos, primeiro colocamos um pouco de óleo nos segmentos, e nas canaletas, e  com muito cuidado vamos introduzir cada segmento na ordem de baixo para cima,tendo sempre o cuidado de não forçar o segmento para não o partir, isto só se deve fazer se não houver outra alternativa, pois deve-se proceder como mandam os procedimentos.
   O segmento de baixo o do óleo é introduzido pela saia no sentido de baixo para cima, o primeiro de cima para baixo e o segundo de cima para baixo, porque a inclinação de como é feito o anel, facilita a passagem do segundo outro segmento.
   Para esta operação podemos ter para ajuda uma chave de fenda pequena para facilitar a introdução dos anéis nas canaletas ou cavidades do pistão, e com muito cuidado para não riscar fazer arrancões no pistão,  partir ou falhar os anéis, o óleo ajuda e evita um pouco isso.
   Colocados os segmentos vamos introduzir o pistão na camisa, mas primeiro vamos colocar um pouco de óleo em ambas partes para facilitar a introdução.
   Agora com o pistão já com a biela  montada vamos introduzir a parte da saia dentro da camisa empurrando para baixo, e com a ajuda da chave de fendas pequena, vamos ajudar os segmentos a entrar na camisa empurrando o pistão e o segmento ao redor com a chave de fendas até que este esteja totalmente dentro da camisa, ou cilindro, esta operação é feita  com uma pequena pressão no pistão só para facilitar o entrar do anel, não convém fazer muita pressão.
   Esta operação deve ser feita com o máximo cuidado sem se fazer muita força ao empurrar o pistão para não se partir o segmento, vai-se procedendo da mesma maneira com os outros segmentos até estarem todos colocados.dentro da camisa do pistão.
   Quando estiver colocado o pistão dentro da camisa é conveniente colocar um bocado de barra de ferro com um furo, ou uma anilha, num dos furos roscados ou se tem perno roscado, como se vê na figura a baixo  que tem furo roscado, de maneira a não deixar sair o pistão quando for montar a cambota.




                           FIG: 10

   Camisas.candro ou cilindros para pistões de compressores, todos têm furos roscados nenhum tem perno roscado.





 Terminada esta operação vamos montar a combota e a biela na qual já desapertamos os parafusos que unem as duas meias bronzinas, e separamos a parte de baixo da biela.
   Colocamos um pouco de óleo nas bronzinas para depois se montar a cambota.
  Agora com a cambota introduzida no cárter,colocamos a parte superior da biela dentro do passeio da cambota e colocamos a parte inferior, colocando os parafusos e ajustando estes à mão.
   À que ter atenção ao colocar as duas partes da biela, que estas fiquem com o encaixe macho/fêmea bem colocados porque se não ficam vai ter um grande problema,mas para isto ficar bem ,basta que se sinta as duas peças encaixar e isso sente-se perfeitamente,nunca forçar, se você não está seguro de que está bem encaixada não aperte os parafusos.
   Se não está seguro desarme e monte outra vez ou as vezes que forem precisas até que esteja bem.
   Em seguida vamos verificar se o pistão desliza bem dentro da camisa só um pouco.
   Agora vamos dar o aperto definitivo aos parafusos da biela,segue tabela de apertos para torquimetro, ou informação do fabricante.




                                   FIG. 11

   Tabela de aperto para torquimetro ou chave de torque.













                 FIG. 12

   Torquimetro ou chave de torque.






   Como podem verificar o aperto é conforme o diâmetro do perno ou porca e é dado em Nm, Kgs ou ft-lb,onde Nm são Newtons,Kgs kilos e ft-lb foot-libras libras -pés.
   Onde 1 Nm = 0,1 Kgs = 9,8066 Nm  1 libra = 0,0703 Kgs 10Nm = 1 Kgs.
   Supondo que o perno é de 8 mm de diâmetro jogo vamos dar um aperto de 1,5 kgs = 15 Nm.
   Estas medidas de torque são dadas pelos fabricantes dos compressores, embora esta tabela seja válida para qualquer tipo de maquina, ou situação.
 Terminadas estas operações vamos colocar os rolamentos e as tampas da cambota ou virabrequim
   Se supõe que o kit de reparação tenha incluído os rolamentos as juntas e a estopera ou retentor.
   Neste caso uma das tampas é cega ou seja não tem furo para passagem do eixo da cambota,a outra tem que é o lado onde vai a polia com canais para as correias trapezoidais, leva um retentor de óleo.
   Para a montagem dos rolamentos vamos começar pela tampa cega,colocando o rolamento sem forçar muito pois pode ir danificar a biela,e ajustando os parafusos.
   A seguir vamos colocar o outro rolamento.
   Em alguns casos este rolamento é cónico,  noutros não,mas deve-se ter o máximo de cuidado ao montar-lo,este deve ser montado com uma ferramenta adequada ou com um bocado de tubo um pouco maior que o eixo da cambota dando umas pancadinhas suaves até este estar no seu devido lugar.

   Também se pode usar uma ferramenta artesanal como a da figura à direita,só que em vez de ser a flange a ser montada é o rolamento.
   Para isso tem que haver uma modificação na ferramenta que se vê, que é a seguinte.
  Em vez do parafuso nº 8, vamos colocar um varão roscado com a medida do furo existente no veio da cambota,logo o tubo nº 5 um pouco maior que o veio, quase justo, e com o comprimento suficiente para se poder empurrar o rolamento até ao final.
   Vamos também colocar outra anilha nº 6 e a porca nº 7 com a medida para o varão roscado, e em seguida apertar a porca nº 7 empurrando o tubo nº 5 o qual vai ajustar o rolamento até ao sitio desejado.
   Seguidamente vamos colocar a estopera ou retentor no veio, usando o mesmo dispositivo só que  desta vez vamos usar o tubo nº 5 com a medida do diâmetro maior da estopera,ou se tem prática em colocar estoperas ,vai empurrar a estopera com os dedos até ela ficar fixa no alojamento e depois com muito cuidado com o martelo vai dando pancadas à volta  da estopera até ela ficar completamente dentro do alojamento à face com o corpo do cárter.
   Prontas estas operações vamos montar o cabeçote com a placa de válvulas já montada,colocamos a junta se for o caso, ou junta torica, e colocamos os parafusos e apertamos conforme a tabela anterior.
   Em seguida vamos montar os restantes componentes que faltam, filtro,pressostato,tubo serpentim regulador de pressão, e as correias trapezoidais, e muito importante a não esquecer, colocar o óleo no cárter seguindo as especificações do fabricante.
 
  



   Aspecto de pressoatato,está em  Espanhol mas percebe-se bem.
   Também existem muitos modelos de pressostatos mas isso por agora não interessa muito.






   Colocar as correias trapezoidais para alinhar vamos necessitar de :
   Uma régua com o comprimento suficiente para poder ser colocada nas duas polias, ou um fio fino.



     Alinhamento de polias. 







   

   Alinhamento de polias por sistema laser.








   Outro tipo de alinhamento laser.




    Isto são exemplos de alinhamentos, mas no caso especifico de que estamos tratando estes procedimentos não seriam necessários porque tanto o motor como o compressor não foram desmontados de base, e ao colocar a polia esta já fica alinhada.
   Se assim fosse teríamos somente que tensar ou ajustar as correias.
   Terminado isto vamos ligar a corrente eléctrica e provar o compressor.
   Mas antes ainda vamos dar umas voltas com a polia para se ver se o compressor trabalha livremente sem nenhum esforço, em seguida colocamos o protector das correis e ligamos o compressor.
   É de boa prática que nas próximas horas se tenha uma vigilância apertada pois pode que algo possa suceder, mas geralmente se se procedeu a reparação com as normas isso não vai acontecer.
   Mais uma mensagem que espero que tenham compreendido e gostado.
   Despeço-me mais uma vez, tenham um bom fim de semana.


                                                  MÁRIO SILVA